ORIENTAÇÕES NUTRICIONAIS PARA PACIENTES EM HEMODIÁLISE
A principal função dos rins é eliminar através da urina os restos e excessos dos nutrientes e outras substâncias que ingerimos através dos alimentos. Eles também produzem hormônios, que atuam no controle da pressão arterial e na produção de células sanguíneas e participam do metabolismo do cálcio, fazendo com que seja absorvido pelo intestino.
Quando os rins não conseguem mais realizar a sua função principal, algumas substâncias começam a se acumular no sangue (uréia, creatinina, potássio, fósforo, sódio e outras), fazendo com que a pessoa se sinta indisposta, com náuseas, vômitos, falta de apetite, pressão arterial elevada, falta de ar, coceiras pelo corpo e outros sintomas.
A hemodiálise é um dos tratamentos que, em parte, substitui os rins, retirando uma boa parte das substâncias tóxicas em excesso do organismo. Porém ela só é feita uma vez ao dia e, em alguns casos, nem todos os dias. Os rins normais trabalham durante as 24 horas diárias. Dessa forma sempre vai ocorrer um acúmulo até a próxima hemodiálise.
A dieta adequada é parte fundamental do tratamento na insuficiência renal crônica. Ela ajuda no controle da quantidade e qualidade dos alimentos, assegura um bom estado nutricional, prevenindo doenças causadas por deficiências nutricionais e ajuda a minimizar os sintomas causados pela doença.
O Nutricionista é o profissional capacitado para fazer a avaliação nutricional individualizada dos pacientes. Esta avaliação envolve uma anamnese completa, ou seja, uma investigação clínica dos sinais e sintomas apresentados pelo paciente e dos exames bioquímicos mensais, aferição das medidas antropométricas (peso, altura, circunferências e dobras cutâneas), análise dos hábitos alimentares e prescrição da dieta com todas as orientações nutricionais necessárias.
1. Carboidratos e Gorduras:
Os carboidratos são a principal fonte e energia para a realização de todas as atividades diárias, por isso devem fazer parte de 50 a 65% da alimentação.Porém, devem ser consumidos com cuidado, com uma distribuição adequada ao longo do dia, pois quando os carboidratos são consumidos em excesso, estes se depositam sob a forma de gordura no organismo.
Podem ser encontrados principalmente nos seguintes alimentos: pães, biscoitos, bolos, massas, cereais, farinhas, frutas, legumes, hortaliças, açúcar e doces em geral.
As fibras também são carboidratos e estão presentes nos vegetais em geral. Também são fontes de fibras: a aveia, linhaça, quinoa, amaranto, farelo de trigo, gergelim e outras.
Alimentos ricos em fibras também apresentam altas concentrações de fósforo, potássio, proteínas de baixa qualidade e outras vitaminas e minerais. Dessa forma a ingestão de fibras pelos pacientes em hemodiálise deve ser cuidadosa e bem calculada para que não haja uma sobrecarga no organismo destas substancias.
As gorduras também são fonte de energia, principalmente quando não há carboidratos disponíveis ou suficientes. Também possuem outras funções importantes: transporte de vitaminas, produção de hormônios e outras.
Existem dois tipos de gorduras: as saturadas, que não devem ser ingeridas em excesso, pois contribuem para o aumento das gorduras sanguíneas (colesterol ruim) e as insaturadas, que são mais saudáveis.
São fontes de gorduras saturadas os alimentos de origem animal como carnes, ovos (gema), leite, queijos, manteiga, maionese, creme de leite e alguns outros alimentos industrializados. São fontes de gorduras insaturadas os peixes e alimentos de origem vegetal: óleos vegetais em geral, nozes, castanhas, amêndoas e abacate.
As gorduras insaturadas devem ser consumidas em maior quantidade do que as saturadas.
2. Proteínas
A proteína é a matéria prima para a formação e manutenção das células do organismo e tem um papel muito importante nas doenças, contribuindo para um bom estado nutricional.
Do metabolismo das proteínas são formadas algumas substâncias que devem ser eliminadas (uréia e creatinina são as principais), pois o excesso se torna tóxico para o organismo. O rim e o responsável por esta eliminação. Mas na insuficiência renal isso se torna impossível.
Mesmo com a hemodiálise os valores ficam sempre altos, por isso a ingestão de proteínas deve ser bem calculada. As recomendações variam de acordo com o peso, atividades diárias e grau da doença.
A ingestão inadequada de proteínas pode levar a perda de peso, principalmente peso muscular, o que leva a fraqueza e incapacidade física, alem da desnutrição, que gera uma série de outras doenças.
Existem dois tipos de proteínas: as de origem animal, que possuem melhor qualidade e as de origem vegetal, que possuem menor valor, porém são muito importantes.
São fontes de proteínas animais: todas as carnes, peixes, leite, queijos e ovo (clara). São fontes mais importantes de proteínas vegetais: feijões, soja, lentilha, grão de bico e nozes.
Para assegurar um bom consumo de proteínas e importante seguir as orientações nutricionais prescritas, pois a quantidade de proteína calculada individualmente favorece um bom estado clínico do paciente.
3. Sódio
Os rins regulam a quantidade de sódio que o organismo necessita. Com a insuficiência renal crônica esta substância se acumula, provocando inchaços (edema), aumento da sede e hipertensão arterial.
O sódio é encontrado em quase todos os alimentos, principalmente nos alimentos de origem animal. Mas, a maior parte está nos alimentos que contem o sal de cozinha (cloreto de sódio).
Alimentos com alto teor de sódio que devem ser evitados: produtos curados, salgados, embutidos (salame, presunto, salsicha, lingüiça, mortadela), enlatados em geral e em conserva, queijos, salgadinhos industrializados, alimentos pré-cozidos e prontos congelados, molhos e condimentos.
Alguns adoçantes também possuem sódio. Evitar os adoçantes a base de ciclamato de sódio e sacarina sódica.
Algumas atitudes podem ser tomadas para se diminuir o sódio da dieta: reduzir o sal no preparo dos alimentos substituindo-o por outros temperos (ervas diversas e especiarias – alho, cebola, salsa, cebolinha, alecrim, tomilho, orégano, açafrão, louro, manjericão, gengibre e outros) e ler com atenção o rótulo dos produtos industrializados, evitando os alimentos com alto teor.
4. Potássio
É importante no adequado funcionamento dos nervos e dos músculos. Quando está em excesso no organismo pode causar alterações no funcionamento do coração, formigamentos e fraqueza muscular geral. Por isso sua ingestão deve ser bem controlada.
O potássio está presente em alimentos de origem animal e vegetal, principalmente. Os alimentos com alto teor de potássio: caldas de compotas de frutas, sal light, leite e seus derivados, batatas, mandioca, inhame, milho, a maioria das frutas e hortaliças, água de coco, frutas secas, amendoim, leguminosas (feijão, soja), nozes, pães integrais e de milho, chocolate e carnes em geral.
Como e impossível deixar de consumir a maioria destes alimentos, principalmente os vegetais, existe uma técnica para reduzir o potássio dos alimentos: descasque os vegetais (frutas e legumes), corte em pedaços e deixe de molho por 2 horas. Escorra, enxágüe e escorra novamente. Faça isso antes de cozinhá-los.
Faça este procedimento também para as verduras que serão consumidas cruas. Isso faz com que uma boa quantidade o potássio passe do alimento para a água. Nunca prepare os vegetais no vapor e nunca reutilize a água de cozimento dos alimentos.
Para o consumo do feijão: deixo-o de molho, na geladeira, no dia anterior ao seu preparo e despreze a água no momento do cozimento.
5. Fósforo e Cálcio
O fósforo, em conjunto com o cálcio, mantém os ossos saudáveis. Com os níveis sanguíneos do fósforo elevados, o cálcio é removido dos ossos, tornando-os frágeis e provocando dores nas articulações.
Quando as concentrações de fósforo e cálcio estão elevadas no sangue podem acontecer coceiras na pele e depósitos de cálcio (calcificação) nas articulações, em alguns órgãos e nos vasos sanguíneos, levando a problemas cardíacos, respiratórios, dificuldade de movimentação e outros.
É encontrado na maioria dos alimentos de origem animal. Por isso é importante o uso da medicação que diminui a sua absorção, pois não se pode excluir estes alimentos da dieta. Os medicamentos se ligam/grudam nas moléculas de fósforo impedindo que a absorção aconteça. São os quelantes de fósforo e devem ser tomados juntamente com as refeições. Porém, eles funcionam como um auxilio, diminuindo uma parte do fósforo a ser absorvido.
A hemodiálise não e totalmente eficiente na retirada de fósforo do sangue. Somente na primeira hora esta retirada acontece, fazendo com que o paciente ainda continue com uma elevada quantidade sanguínea.
Alimentos com alto teor de fósforo: leite e seus derivados, nozes, leguminosas (feijão e soja), pães integrais e de milho, aveia, milho, molhos e extrato de tomate, vinhos, chocolate e carnes em geral.
6. Líquidos
A água corresponde à maior parte do corpo. É fundamental para a realização das reações que acontecem no organismo. Na insuficiência renal ocorre um acúmulo de líquidos, observado pelo ganho de peso entre as sessões de diálise e inchaço nas pernas, tornozelos, mãos, abdome e outros.
O ganho de peso considerado normal entre uma diálise e outra é de 1kg a 1,5kg, dependendo do tamanho da pessoa. A recomendação de água vai depender do volume urinário, do clima e da atividade física.
Quando há excesso de líquidos corporais, pode ocorrer aumento da pressão arterial, edema pulmonar, com dificuldade respiratória e a próxima hemodiálise torna-se muito desconfortável e mais longa.
Não esquecer que a água faz parte da composição dos alimentos, sendo as frutas e verduras os mais ricos. São eles: melão, melancia, morango, laranja, limão, tangerina, mamão, abobrinha, berinjela, pepino e tomate. Todos estes compostos de 90% de água.
Utilize copos e xícaras pequenas para consumir os líquidos prescritos na dieta e quando estiver com muita sede: chupe pedras de gelo ou pingue gotinhas de limão na água, líquidos gelados e frutas geladas são melhores, faca bochechos com água sem engolir e escove os dentes.
O excesso de sódio também aumenta a sede, favorecendo o maior consumo de líquidos.
Siga sempre as orientações médicas e nutricionais, pois
disso depende o sucesso do seu tratamento.
Tabela de composição de Alimentos (Potássio/Fósforo/Sódio) - tabela.pdf (35 KB)